De pano.

Hoje eu olhei a caixa preta com bolinhas brancas, o coelhinho de pelúcia, o vinho guardado para uma ocasião especial e a rosa verde com laranja que ganhei, que me fez esquecer a rosa que deixei na casa antiga. Ela também era laranja e verde, mas essa que ganhei recentemente é maior e o amor e a alegria que vieram juntos com ela também. Então me lembrei da bonequinha de pano, sem vida e sem cor, que tentava agradar a todas as pessoas e que não tinha vontade própria. Que era levada de lá para cá, ficava jogada num canto e sozinha. O seu sorriso era forçado pela costura que veio de fábrica. Só não era mais forçado que os sorrisos amarelados das pessoas ao seu redor. Mas um dia ela se esqueceu que era de pano e sem medo de se rasgar no caminho, ela tirou as costuras que definiam a forma moldada por alguém e criou a sua própria forma. Hoje os seus lábios seguem o contorno do que é sentido e não tem mais ‘cordas’ que a prendem e a controlem. Hoje ela anda com as próprias pernas, é livre e até vive, mas ainda continua boneca, continua de pano.

Rasga. Costura. Suja. Lava.

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3 respostas para “De pano.

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