Arquivo do mês: maio 2010

Um pássaro na mão, um pássaro no ar

SeAMimFosseConcedidoUmDesejoAgora,EuDesejariaTerSeuAmor!

Pensando bem, isso não seria um bom desejo.

Amor é algo que deve ser conquistado.

Melhor seria desejar vinte e três milhões de reais.

Com esse dinheiro, nós poderíamos abandonar a universidade, assim poderíamos nos livrar do “peso” que todos os trabalhos, atividades, provas e ainda a monografia exercem sobre nós.

Com o dinheiro, você não precisaria mais trabalhar, pois, por mais que o trabalho te faça bem, ele ainda é motivo para a sua tristeza ou cansaço as vezes.

Com o dinheiro, poderíamos cuidar da sua saúde. Nada mais de dores de qualquer tipo. Dor na perna, cabeça, barriga ou dedo, nada disso! Câncer, meningite, toda doença ficaria longe.

Com o dinheiro, poderíamos investir na sua beleza. Você é tão linda, mas vejo que não se sente bem da maneira como está. Sem problema, eu desejo muito a sua felicidade, quero você bem. Poderíamos dar um jeito no seu cabelo, barriga, dedos, na pele da sua face, tudo que você desejar mudar.

Com o dinheiro, poderíamos ajudar sua família, pessoas importantes para você, todos os nossos amigos. Nossa! Como seria bom! Todos eles ficariam muito felizes! Isso nos deixaria melhores, mais aliviados, com certeza mais felizes também.

Com o dinheiro, poderíamos esbanjar em viagens. Conheceríamos “os melhores hotéis do mundo”. Isso seria um sonho. Por mais que qualquer lugar seja ótimo para mim quando estou ao seu lado, nossas vidas seriam mais interessantes em locais legais. Nossas futuras casas são provas disso. “Nós nunca brigaremos quando morarmos nelas”, não é mesmo?

Com o dinheiro, nós criaríamos vários empreendimentos e também poderíamos comprar tudo que desejássemos. A pousada de frente para o mar, o shopping, O Estado, a avenida, a universidade, o condomínio, o restaurante, tudo poderia ser nosso.

Com o dinheiro, nós poderíamos ter uma “cachoeira artificial”!

Com o dinheiro, nós poderíamos ter nossos filhos. Eles teriam carros aos dezoito anos ou até mesmo aos dezesseis. Isso dependeria somente deles, não é mesmo? Nossa! Eu já amo cada um deles!

Quanta “ganância”. Talvez seja bem ruim da minha parte desejar isso tudo. Logo eu fui pensar nisso, eu que sou o homem mais rico do mundo, pois tenho o maior de todos os tesouros. Esse tesouro é você.


Estica e puxa.

Eu percebi que as pessoas, os momentos, os sentimentos e qualquer outra coisa vão ocupar nas nossas vidas, exatamente, os espaços que a gente   ceder, que a gente dedicar, que a gente oferecer para eles, não se limitando aos padrões, as etiquetas de Pequena, Média e Grande que a gente vê por aí. Às vezes é tão pequeno, que não cabe nas mãos; às vezes é tão grande que também não cabe nas mãos; às vezes a entonação é tão baixa que não é audível; às vezes é tão alta a ponto de ensurdecer; às vezes não é visível, às vezes é visível demais, às vezes dormente; às vezes sensível.

E a gente que tem esse controle de regulagem, de abertura, de fechamento.

Por isso é que muitas vezes o que era pequeno se torna enorme e se torna tão pequeno, aquilo que a gente achava gigante, a ponto de arrancar uma gargalhada gostosa. E assim a gente vai nesse jogo de estica e puxa (de espaços). De contração e expansão (de espaços). É aquela velha questão da física: “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”. Eles tentam. Podem sobrepor, sobpor, entrelaçar. Mas não ocupam. E como o espaço total (aquele que ocupa todos os outros espaços)  é limitado, a gente tem que selecionar, é aquela coisa do abrir mão disso por aquilo. Daí a gente passa a ter critérios de escolhas, critérios de descarte. A gente passa a atribuir valores às ‘coisas’. Por isso que uma é mais importante do que a outra. E de uma pessoa para a outra essa importância muda. O tamanho dessas ‘coisas’ vai depender do quanto a gente se importa, do quanto à gente disponibiliza tempo, do quanto à gente pára pra pensar, pra sentir… Vai depender dos nossos esforços em alimentar, em fazer crescer; em não alimentar, em fazer morrer.

Por isso que mesmo contrariando todas as regras da matemática eu posso afirmar que eu ganhei mais do que perdi. E vai ser sempre assim, por que eu aprendi a valorizar o que eu tenho e a correr atrás daquilo que eu quero e que não tenho e por mais que eu nunca chegue, continuarei percorrendo. E é tão divertido o caminho. A gente chora de tristeza, chora de felicidade. A gente sorrir para disfarçar uma dor, a gente sorrir quando a dor passa. A gente cai, a gente levanta, a gente ajuda a levantar. Várias pessoas caminham com a gente, umas desistem, outras mudam de caminho.

E assim a gente vai, cedendo espaços, tomando-os de volta.


Sobrevoando

Nem tão alto que eu não possa viver, nem tão baixo que eu não possa sonhar. Simplesmente…


Mentiras ao vento.

Hoje eu encontrei mais um papelzinho dos milhares que você soltou ao vento. Dá trabalho de juntar, sabia? Dá trabalho de desfazer a imagem que você fez de mim. Isso que você criou para tentar justificar as suas escolhas que agradam apenas a você. Agradam por um período determinado de tempo. Sempre foi assim. Você enjoa. Você troca como se fosse uma mercadoria barata. E você nem é criterioso nisso. Por que se você não inventasse esse ser estranho que eu sou na boca das pessoas, não teria lógica. Não seria racional tomar uma decisão assim. (Numa decisão sempre se tem dois lados e subtende-se que se escolha sempre o melhor em detrimento do outro não tão melhor ou ruim). E como você ia justificar essa decisão? Se ela vai de encontro a isso, ao que é aceito comumente. Seria a mesma coisa de trocar o gato pela lebre.

Se você não tivesse distorcido quem eu sou? Você teria que assumir de cara limpa que a culpa era sua. E isso você não ia fazer mesmo. Você sempre gostou de máscaras. E eu sempre soube que você não tinha coração, nem escrúpulos e que sua palavra valia um vintém, parece que agora está valendo três. Mais uma vez: EU SEMPRE SOUBE. Isso é fato e, portanto, não há argumentos.  Eu me surpreendo como tem gente que ainda acredita em você, que ouve as suas promessas e que acredita. Como tem gente que ouve (de você) e aceita coisas tão absurdas sobre mim sem questionar. É como se eu tivesse sido uma farsa todos esses anos. É no mínimo estranho eu ter me tornado simplesmente (ler-se: complexamente) inversamente proporcional, não acha? Eu aprendi, eu acho que na terceira série, (mesmo sem ter uma mente privilegiada) que a gente tem que ter uma postura crítica diante da vida e não apenas aceitar tudo com passividade; nos inquietar e ir atrás da verdade. Mas isso também dá trabalho, sabia? E eu que ainda era a preguiçosa, não é?

Quer um conselho, querida? Compre alguns sacos para juntar os papeizinhos que ele soltará para tentar justificar o fato de ter enjoado também de você.


Uma borboleta incomoda muita gente.

Tem uma borboleta enorme e agitada ao meu lado. Tão agitada que me lembra um beija-flor. Mas essa não beija. Nem tem nada parecido com uma flor. Ela me ataca de vez enquando, aliás, eu não pareço ser alvo dela. É tão louca, me lembra uma bola de “pinball”, se jogando inteiramente contra tudo que encontra no caminho. Um ponto, dois pontos. Sai, borboleta! Onde estão minhas palhetas quando preciso delas? Game over, ela se foi. Agora deve estar em outro mundo, batendo as asas com a mesma velocidade, voando de um lugar para o outro sem parar. Tudo ficou tão calmo sem ela, o ambiente ficou mais leve, consigo agora me concentrar nos sussurros do ventilador e na orquestra dos grilos lá de fora. A luz que erradia do meu abajur agora está completa, não tem mais sombra, ficou homogênea. O pó que caia das asas loucas também se foi, deixando no ar o gosto da liberdade de se poder respirar profundamente. Nossa, que paz… Saudade, borboleta.


Oficina sem nome.

Eu não sei por que, mas tenho a necessidade de inventar palavras.

Talvez seja por que, as vezes,  eu não encontre palavras que se adequem tão bem ao que é sentido.

Capaz de tornar concreto o que é subjetivo.

Capaz de compartilhar tão bem o que outrora era só meu. Familiar apenas para mim.

E mesmo tentando ser a mais fiel possível ao original, aos detalhes, a intensidade, sempre há perdas nessa transição, nessa transformação, nessa passagem para o ‘real’.

Meu mundo sempre encontra limitações na linguagem.

Então, por favor, deixe-me livre para criar e compreenda quando eu não conseguir.

De um tempo para cá eu passei a entender as oficinas com o nome ‘sem nome’.


Porta-coisa?

Serve para enfeitar, fazer um charmizinho, uma surpresa. A gente até pode utilizar depois como um porta-coisa. Com ela dá até para brincar de adivinhar. É até divertido balançar e ouvir o som do movimento do objeto batendo nas suas extremidades. Rosa, Azul e Verde são as que eu mais simpatizo.  Gosto de umas que tem umas bolinhas, umas flores ou alguma coisa que quebre a linearidade. Se quiser, pode colocar um laço, dois… Pode fazer umas dobraduras no papel envolvente. A gente também pode colocar várias delas, uma dentro da outra, para aumentar a expectativa. As vezes ela é grande, pequena, estreita, larga. E mesmo sem ser proporcional, as vezes, é escolhida. Muitas vezes porque não tem outra mesmo ou para aproveitar a anterior, a de um amigo que não vai mais usar. Daí a gente ajeita, dar um toque peculiar. Eu não sei se já percebeu, mas ela é tão frágil. Pode molhar, rasgar, estragar, amassar, ‘enfeiar’. O laço pode até soltar. E mesmo que tudo isso aconteça e mesmo que a gente não brinque com ela; que seja marrom; que seja lisa; que não tenha detalhe nenhum e que não haja nenhuma expectativa. Na verdade não vai importar tanto. Ou vai? Desde que ela proteja. Proteja o que tem dentro. Que quando é dado com amor, a caixa se torna  até dispensável. As vezes não se torna nem  um porta-coisa, vai pro lixo, no mínimo para a reciclagem. É, tem razão, o conteúdo sempre se sobressai.

E eu que pensei que o conteúdo [o que tem dentro],

fosse o mais importante apenas nas pessoas.