Arquivo do mês: julho 2010

Palavras.

Palavras não são só palavras. São substantivos, adjetivos, verbos, frases, textos.  Podem ser sublinhadas, intercaladas, cruzadas. Elas podem ser o que você quiser. Dê o seu significado. Crie um sentido singular, mas também deixe sem sentido. Seja ambíguo, às vezes, só para despertar a criatividade e não esqueça os neologismos. Mude a cor, a fonte, o parágrafo. Escreva sobre verdades, mas se mentir, dê exemplos, haha. Invente histórias. Conte uma comédia, uma tragédia, um romance, um conto, uma piada, duas ou três. Exagere em umas partes, simplifique em outras. Seja o autor, seja também ator e às vezes seja o cara que segura a câmera. Seja poeta. Rime. Se inspire. Inspire alguém. As transforme em voz de vez em quando. Em  ‘coisa’ audível, mas com a sua entonação. Fale. Grite. Telefone. Traduza os momentos, as emoções. Defina a  Saudade. Dê vida aos Sonhos. Componha. Faça virarem ritmo. Som. Com seus acordes, com a sua velocidade e sequência. Transforme alegrias e dores em melodias. Redija também cartas falando sobre amor, sobre ódio, sobre sentimentos nobres, mas não esqueça os mesquinhos.  E as envie pelo correio.  As faça andar, poetizar, ‘musicalizar’, dançar e não se esqueça das lombadas, das borrachas, do tom e das piruetas.  Brinque com as palavras. As use, as abuse, só não se lambuze demais. É feio. É nojento. Dá gastura.

 


Te amo

Com o clichê do pronome oblíquo na frente e tudo mais.


pessoas e PESSOAS

Existem pessoas que são Pele.

Pessoas mon ocromáticas. Pessoas metades. Pessoas que enxergam apenas o preto e o branco e se enquadram em uma dessas duas categorias. Que passam o restante da vida vazias. Não gostam de profundidade, de proximidade, de estar perto, nem de calor. Pessoas que são superficiais, que se limitam e esbarram no mundinho medíocre que elas mesmas criaram.  Pessoas que não aceitam nada que não tenha o tamanho PP, uma forma arredondada e textura lisa. Pessoas assim costumam ser pequenas mesmo e não apenas na cintura, mas na alma. Não gostam de mistura. Pessoas ‘unicores’. minúsculas.

Mas existem Pessoas que são estampadas. Que gostam de explosão de cores, de intensidade, de leveza. Que gostam de misturar, criar e recriar cores e suas variações. Formadas por sonhos vermelhos, roxos, azuis, verdes, laranjas, rosas e principalmente por cores fora de moda. Pessoas que tem um universo dentro de si pintado e bordado, com tons, semitons, contraste e realce. Pessoas com expectativas, olhinhos brilhando, com recheio e sabor. Pessoas com cor e forma de vida, de felicidade. Completas. Pessoas Arcoíris. MAIÚSCULAS.

Existem pessoas que são Pele e também Coração.


Bem-me-quer, Mal-me-quer.

Eu e minha mania de mexer em coisas antigas. Nessa semana encontrei uma foto nossa, que pensei que nem existisse mais, porque eu fiz questão de rasgar todas. Esta foto é daquelas câmeras analógicas e está um pouco estragada pela ação do tempo. Nela nós estamos com sorrisos contagiantes, parecia felicidade, talvez até fosse. E, ao contrário das outras fotos, essa eu consegui achar bonita e não senti necessidade de rasgá-la. Não como das outras vezes. Agora, não tem mais nada que apagar. Rasgar ou não rasgar não vai alterar nada. A foto não tem tanto significado, além de passado, o meu passado, que apesar de todos os contratempos, palavras e atitudes ruins, foi bom. Bom como tinha que ser, até onde tinha que ser. Fiquei olhando um pouco para a foto e quer saber? Eu não consegui te desejar mal. Eu juro que tentei. Tentei me acostumar com a idéia que eu ficaria feliz se algo ruim te acontecesse. Até ensaiei um sorrisinho amarelo no canto da boca. Daí me veio à lembrança todo o sentimento, todos os momentos bons, todos os sonhos. E eu me lembrei o quanto eu me importava, o quanto eu queria, o quanto eu desejava bem. Então passei a me perguntar o porquê tenho que desejar mal agora e não consegui encontrar nenhuma justificativa além de maldade mesmo. E apesar de não saber, às vezes, o que combina comigo, eu sei muito bem o que não combina: Ser mal. E eu sinto que nisso a recíproca é verdadeira, por que eu não consigo ‘ouvir o som’ das suas risadas diante de uma tragédia ou algo ruim na minha vida. Pelo menos, não de sorrisos sinceros como o da foto. E eu não consigo entender o porquê tem que ser diferente.  Por isso, guardei a foto e decidi brincar de ‘bem-me-quer, bem-te-quero’. Que tal? Soa bem melhor, soa viver bem, soa ser feliz.