Arquivo do mês: agosto 2010

Das perdas.

Sempre me disseram que: “um dia a gente perde e um dia a gente ganha”. Percebi que para algumas pessoas é: ‘um dia a gente perde e muitos dias a gente ganha’ e para outras pessoas: vice-versa*. Advinha em que lado me enquadrei? Ou melhor, em que lado a vida me enquadrou. O verbo é PERDER. Está no infinitivo? ok. Sei soletrar: P-e-r-d-e-r. ‘Silabar’: Per-der. Colorir: Perder. Mas nunca aprendi direito a conjugar: Eu perco, perdo…. Algumas vezes tentei substituí-lo pelo verbo ficar. Pela pergunta: Você me deixa ficar? Outras vezes por: Fique! Aliás: FIQUE!!!! Perder faz o mundo se avessar, mostrar a costura, os fiapos, o desbotado, ‘o que não deve ser mostrado’. E tem dias que a gente não está muito a fim de criar, de ‘modelar’, nem de ‘estilizar’. E nesses dias – não tão criativos, modistas e nem estilizados – depois de virar na cama a noite toda, não estando toda (completa) e de pensar que é preciso dormir, mas que fechar os olhos apenas não é suficiente e após levantar novamente (pela é… perdi a conta, só sei que é sempre depois do: ‘ levantar de novo’ e ‘levantar outra vez’) a gente percebe que isso não faz bem para a pele e que pó de arroz  também não adianta muito – ela está seca e áspera, e que a noite mal dormida também não faz bem para os olhos, para o corpo e para a alma. Por que, acima de tudo, perder dói. Daí já é verbo demais em uma frase – perder e doer. Perder tira presença, sentimentos e também coisas. Perder também traz lembranças. Lembra ausência; Falta; Não ter; Não poder. Lembra quase, mas também pra sempre. Lembra poderia ter sido. Lembra metade, que muitas vezes soa vazio. Lembra também novidades sem poder contar, sem poder ligar, sem poder mandar e-mail. Lembra tantas coisas, mas ‘outras coisas’, que de tão boas parecem presença e sentimentos juntos. Então se tiver que ser (que perder), que seja aos poucos, seja cotidiano, seja costume, seja adaptação. Que os muitos ‘perder’ que a vida me deu, (deu para mim e para as ‘outras pessoas’) mesmo que estejam juntos, somados ou multiplicados nunca consigam se igualar ao ganhar que faz o mundo ‘desavessado’, colorido, espelhado. Ou melhor, um mundo que espelha, que reflete, reflete singulareS iguais a um plural.

Também existem mundos desavessados no lado vice-versa.

Com pluralidade de singulareS.

É esforço, é suor. É lutar mais que algumas pessoas.

Mas é possível.

A vida dá essa chance.

Coloque o ‘S’ no final.

Olhe para os lados.

Tá vendo?

Quer mais o quê?

 

 

 


*Um dia a gente ganha e muitos dias a gente perde.


 

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L.K.N.Almeida

Esse texto é dedicado a alguém. A alguém que até hoje eu não tinha dedicado nada. Eu pensei no que colocar aqui, procurei imagens bonitas, coloridas, felizes, mas me toquei que não combinava muito com a situação. Mas talvez combinasse com ela. Mas sequer sei a sua cor preferida. Pensei no que escrever aqui. Olhando algumas fotos espalhadas em uma rede social na internet, eu encontrei o seu sorriso. Eu gostei de vê, o que me incomodou foram as frases e os títulos dos álbuns, que geralmente continha a palavra saudade. Não. Eu não estou sentindo saudade. Poderia sentir saudade de algo que não vivi? Não sei definir bem o que eu estou sentindo. Dá um tempo, tá? Quando eu fiquei sabendo do que aconteceu, capaz de interromper aquele sorriso, eu tentei respirar e oxigenar meu cérebro. Eu tentei organizar as idéias. Eu juro que tentei. Tentei me acostumar que era apenas mais uma. Pura estatística. O problema é que eu não suporto números, eu gosto é de sorrisos. Desde aquele dia de manhã, ao contrário do dela, meu coração continuou batendo, mas não do mesmo jeito. Minha cabeça passou um tempo projetando apenas uma imagem. Agora a projeta em um intervalo de tempo maior. Veio-me também a cabeça durante alguns dias a conjunção condicional ‘se’, aplicada em muitas frases. E eu consegui visualizar todas as situações que esse ‘se’ provocaria. Mudaria tudo. Hoje os verbos  poderiam ser conjugados no presente e nas frases em que ela fosse o sujeito. Talvez ela e eu pudéssemos formar um sujeito composto, quem sabe uma história, uma amizade. São tantos pensamentos e sentimentos. Antes que você me pergunte. Não. Eu não a conhecia. Nem de vista e nem de ouvir falar. Nada. Sabe aquelas coisas de destino? Pronto. Nenhum esbarro acidental no meio da rua. Mesmo sem ter qualquer tipo de relação… eu pensei no dia dos pais. Pensei que talvez ela tivesse comprado uma gravata azul que ficou guardada na gaveta, junto com um cartão que ficou em branco. Pensei muito no cartão em branco. Não pude deixar de pensar também no dia das mães. No dia das mães do próximo ano. De terem tirado o direito de uma criança desejar feliz dia das mães. Eu não consigo ser alheia ao seu sorriso e ao que o interrompeu. Eu penso nas pessoas, nos amigos, nos familiares. Eu penso na dor. Eu penso nela, nos seus gostos, no som da sua voz, nos seus sonhos. Eu fico imaginando. O que me deixa triste não é o fato de não a ter conhecido, é não poder conhecer agora. E igual a ela outros vão embora todos os dias. Todos os dias a ordem natural das coisas é interrompida. E a gente tenta engolir isso com groselha. Quer saber? Eu odeio groselha. Eu gosto é de sorrisos. Neste momento, além da imagem projetada na minha cabeça em espaços de tempo cada vez maiores, da conjunção condicional ‘se’ aplicada em todas as frases inimagináveis, está vindo outra palavra. Faço questão de deixá-la aqui, de todas as formas que ela possa ter: Por que ….? … por quê? …porque… O porquê… Não. Não justifica. E mesmo que justificasse, eu não gosto de justificativas. Eu gosto é de sorrisos.

 

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