Arquivo do mês: setembro 2010

Contropefo

Eu estava tentando deixar entendível, decifrável, interpretável, compreensível, perceptível, inteligível, explicando demais, dando exemplos demais. Enquanto fazia isso, eu estava um tanto querendo achar graça, mas me controlei, porque me lembrei do amarelado que o café deixa nos dentes e esse tom de amarelo não tem graça. Tentei. Tentei. Tentei. Fui até redundante. Repetitiva. Mas não adiantou muito explicar. – Como pode alguém ser tão, tão, tão… dizia ele até eu o interromper dizendo: – É. Tão mesmo. Tão. Muito. Demais. Talvez ele não tivesse prestando muita atenção ou talvez meu mundo fosse mesmo complexo demais. Segundo ele: Eu preciso demais, peço demais, além do que as pessoas possam dar. E como se não bastasse, às vezes, eu sou cruel com isso, porque muitas vezes o melhor de alguém pode não ser o melhor para mim. Eu costumo chamar isso de amor próprio, de seletividade, de si gostar, de não aceitar qualquer bugiganga enfeitadinha que me oferecem. E você? Eu dizia: – Calma, você vai se acostumar. Mas eram novidades demais para alguém que tinha as mesmas manias que seu colega, que meu colega e que o cara da bodega da esquina. É liso. Não estampa nada. É muito contropefo. Entendeu? Não? Espera que eu vou te explicar… hahahaha, desculpa, saiu.

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