Arquivo do mês: dezembro 2010

Roupa Suja.

Eu até achava que combinava. Fui formando vários modelos, fazendo um remendozinho aqui e acolá, mudando o sapato, às vezes a bolsa e foi dando certo. Fomos acompanhando as estações e cheguei até a achar que não ia ter moda que derrubasse. Afinal, cada uma faz a sua. Até surgir uns fiapinhos e aparecerem umas manchas não sei de onde, que começaram a desfiar tudo e a sujar a estampa mais bonita: a amizade. Então tudo se tornou tão descartável, eu tão pano de chão, quando percebi que o bordado que fiz durante alguns anos não serviu de nada, já não tinha valor. LIQUIDAÇÃO TOTAL.

Eu ainda esbocei umas linhas para te contar sobre o gaguejar do outro lado da linha, sobre o ‘mas’ que você não me deixou concluir. Sobre com quem eu falei nos cinco minutos de intervalo entre uma ligação e outra. Sobre os planos, as estripulias, os malabares, os rostos pintados e o mundo que eu movi para te ajudar. Sobre a minha espera e também sobre coisas que não se faz, que você não deveria ter feito. Sobre você não acreditar, não confiar e não saber o que realmente aconteceu. Sobre minhas tentativas. Sobre  você jogar coisas pelas janelas que não voltam mais. Quer saber? Desisti. Essas coisas não te interessam. Caso contrário, teria atendido o celular, tenho certeza.

Agora tanto faz você fazer birra, cara de choro ou voz de criança que não vai adiantar. Você querendo ou não, as coisas nem sempre foram ou são como você quer, como você acha, como você interpretou. O mundo não é lilás e não se resume só a realidade que você criou. As outras pessoas também têm os seus abanhados para fazer, umas linhas para enviesar, outras para organizar. Você precisaria entender que você não pode fazer o que quiser com os outros, tipo brincar de destruir novelos de lã. Embaixo dos panos estampados acontecem muitas coisas. E muitas vezes as pessoas não sabem, as pessoas não vêem. Principalmente quando não se quer, quando não sobram espaços para mais nada, para mais ninguém. Muitas pessoas estão tão costuradas ao seu próprio eu, presas em suas próprias concepções, verdades, realidades e julgamentos que não conseguem se pendurar em mais nada, quanto mais se aventurar em outros varais. Sabe? Às vezes é preciso se misturar, atravessar a fibra do outro e entender suas intenções, seus sentimentos. Mas é mais conveniente, e mesquinho também, se deter só a carcaça. Minha fibra estava tão macia, tinha usado amaciante da última vez.

Às vezes os tecidos se desprendem dos varais, caem no chão e se sujam. Às vezes é de tanto usar também. Só sei que as manchas que cobrem a beleza dos tecidos precisam ser tiradas. Quando se quer usar novamente é preciso lavar a roupa suja de novo, esfregar, esfregar até não sobrar mais nada de sujeira. Mas quer saber? Não gosto de beira de pia, muito menos de bacia e o sabão em pó acabou. Será que pó de pilimpimpim resolve? Tenho pra mim que não.

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