L.K.N.Almeida

Esse texto é dedicado a alguém. A alguém que até hoje eu não tinha dedicado nada. Eu pensei no que colocar aqui, procurei imagens bonitas, coloridas, felizes, mas me toquei que não combinava muito com a situação. Mas talvez combinasse com ela. Mas sequer sei a sua cor preferida. Pensei no que escrever aqui. Olhando algumas fotos espalhadas em uma rede social na internet, eu encontrei o seu sorriso. Eu gostei de vê, o que me incomodou foram as frases e os títulos dos álbuns, que geralmente continha a palavra saudade. Não. Eu não estou sentindo saudade. Poderia sentir saudade de algo que não vivi? Não sei definir bem o que eu estou sentindo. Dá um tempo, tá? Quando eu fiquei sabendo do que aconteceu, capaz de interromper aquele sorriso, eu tentei respirar e oxigenar meu cérebro. Eu tentei organizar as idéias. Eu juro que tentei. Tentei me acostumar que era apenas mais uma. Pura estatística. O problema é que eu não suporto números, eu gosto é de sorrisos. Desde aquele dia de manhã, ao contrário do dela, meu coração continuou batendo, mas não do mesmo jeito. Minha cabeça passou um tempo projetando apenas uma imagem. Agora a projeta em um intervalo de tempo maior. Veio-me também a cabeça durante alguns dias a conjunção condicional ‘se’, aplicada em muitas frases. E eu consegui visualizar todas as situações que esse ‘se’ provocaria. Mudaria tudo. Hoje os verbos  poderiam ser conjugados no presente e nas frases em que ela fosse o sujeito. Talvez ela e eu pudéssemos formar um sujeito composto, quem sabe uma história, uma amizade. São tantos pensamentos e sentimentos. Antes que você me pergunte. Não. Eu não a conhecia. Nem de vista e nem de ouvir falar. Nada. Sabe aquelas coisas de destino? Pronto. Nenhum esbarro acidental no meio da rua. Mesmo sem ter qualquer tipo de relação… eu pensei no dia dos pais. Pensei que talvez ela tivesse comprado uma gravata azul que ficou guardada na gaveta, junto com um cartão que ficou em branco. Pensei muito no cartão em branco. Não pude deixar de pensar também no dia das mães. No dia das mães do próximo ano. De terem tirado o direito de uma criança desejar feliz dia das mães. Eu não consigo ser alheia ao seu sorriso e ao que o interrompeu. Eu penso nas pessoas, nos amigos, nos familiares. Eu penso na dor. Eu penso nela, nos seus gostos, no som da sua voz, nos seus sonhos. Eu fico imaginando. O que me deixa triste não é o fato de não a ter conhecido, é não poder conhecer agora. E igual a ela outros vão embora todos os dias. Todos os dias a ordem natural das coisas é interrompida. E a gente tenta engolir isso com groselha. Quer saber? Eu odeio groselha. Eu gosto é de sorrisos. Neste momento, além da imagem projetada na minha cabeça em espaços de tempo cada vez maiores, da conjunção condicional ‘se’ aplicada em todas as frases inimagináveis, está vindo outra palavra. Faço questão de deixá-la aqui, de todas as formas que ela possa ter: Por que ….? … por quê? …porque… O porquê… Não. Não justifica. E mesmo que justificasse, eu não gosto de justificativas. Eu gosto é de sorrisos.

 

Você poderá gostar de: #,simples assim. #Um café com realidade, por favor. #17 de dezembro de 2009.


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Palavras.

Palavras não são só palavras. São substantivos, adjetivos, verbos, frases, textos.  Podem ser sublinhadas, intercaladas, cruzadas. Elas podem ser o que você quiser. Dê o seu significado. Crie um sentido singular, mas também deixe sem sentido. Seja ambíguo, às vezes, só para despertar a criatividade e não esqueça os neologismos. Mude a cor, a fonte, o parágrafo. Escreva sobre verdades, mas se mentir, dê exemplos, haha. Invente histórias. Conte uma comédia, uma tragédia, um romance, um conto, uma piada, duas ou três. Exagere em umas partes, simplifique em outras. Seja o autor, seja também ator e às vezes seja o cara que segura a câmera. Seja poeta. Rime. Se inspire. Inspire alguém. As transforme em voz de vez em quando. Em  ‘coisa’ audível, mas com a sua entonação. Fale. Grite. Telefone. Traduza os momentos, as emoções. Defina a  Saudade. Dê vida aos Sonhos. Componha. Faça virarem ritmo. Som. Com seus acordes, com a sua velocidade e sequência. Transforme alegrias e dores em melodias. Redija também cartas falando sobre amor, sobre ódio, sobre sentimentos nobres, mas não esqueça os mesquinhos.  E as envie pelo correio.  As faça andar, poetizar, ‘musicalizar’, dançar e não se esqueça das lombadas, das borrachas, do tom e das piruetas.  Brinque com as palavras. As use, as abuse, só não se lambuze demais. É feio. É nojento. Dá gastura.

 


Te amo

Com o clichê do pronome oblíquo na frente e tudo mais.


pessoas e PESSOAS

Existem pessoas que são Pele.

Pessoas mon ocromáticas. Pessoas metades. Pessoas que enxergam apenas o preto e o branco e se enquadram em uma dessas duas categorias. Que passam o restante da vida vazias. Não gostam de profundidade, de proximidade, de estar perto, nem de calor. Pessoas que são superficiais, que se limitam e esbarram no mundinho medíocre que elas mesmas criaram.  Pessoas que não aceitam nada que não tenha o tamanho PP, uma forma arredondada e textura lisa. Pessoas assim costumam ser pequenas mesmo e não apenas na cintura, mas na alma. Não gostam de mistura. Pessoas ‘unicores’. minúsculas.

Mas existem Pessoas que são estampadas. Que gostam de explosão de cores, de intensidade, de leveza. Que gostam de misturar, criar e recriar cores e suas variações. Formadas por sonhos vermelhos, roxos, azuis, verdes, laranjas, rosas e principalmente por cores fora de moda. Pessoas que tem um universo dentro de si pintado e bordado, com tons, semitons, contraste e realce. Pessoas com expectativas, olhinhos brilhando, com recheio e sabor. Pessoas com cor e forma de vida, de felicidade. Completas. Pessoas Arcoíris. MAIÚSCULAS.

Existem pessoas que são Pele e também Coração.


Bem-me-quer, Mal-me-quer.

Eu e minha mania de mexer em coisas antigas. Nessa semana encontrei uma foto nossa, que pensei que nem existisse mais, porque eu fiz questão de rasgar todas. Esta foto é daquelas câmeras analógicas e está um pouco estragada pela ação do tempo. Nela nós estamos com sorrisos contagiantes, parecia felicidade, talvez até fosse. E, ao contrário das outras fotos, essa eu consegui achar bonita e não senti necessidade de rasgá-la. Não como das outras vezes. Agora, não tem mais nada que apagar. Rasgar ou não rasgar não vai alterar nada. A foto não tem tanto significado, além de passado, o meu passado, que apesar de todos os contratempos, palavras e atitudes ruins, foi bom. Bom como tinha que ser, até onde tinha que ser. Fiquei olhando um pouco para a foto e quer saber? Eu não consegui te desejar mal. Eu juro que tentei. Tentei me acostumar com a idéia que eu ficaria feliz se algo ruim te acontecesse. Até ensaiei um sorrisinho amarelo no canto da boca. Daí me veio à lembrança todo o sentimento, todos os momentos bons, todos os sonhos. E eu me lembrei o quanto eu me importava, o quanto eu queria, o quanto eu desejava bem. Então passei a me perguntar o porquê tenho que desejar mal agora e não consegui encontrar nenhuma justificativa além de maldade mesmo. E apesar de não saber, às vezes, o que combina comigo, eu sei muito bem o que não combina: Ser mal. E eu sinto que nisso a recíproca é verdadeira, por que eu não consigo ‘ouvir o som’ das suas risadas diante de uma tragédia ou algo ruim na minha vida. Pelo menos, não de sorrisos sinceros como o da foto. E eu não consigo entender o porquê tem que ser diferente.  Por isso, guardei a foto e decidi brincar de ‘bem-me-quer, bem-te-quero’. Que tal? Soa bem melhor, soa viver bem, soa ser feliz.


Sobre organização, mudanças e amor.

Fucei minhas gavetas, joguei fora fotografias, bilhetes e cartas. Arrumei tudo milimetricamente, otimizei espaços e ainda separei por cor. Organizei meus livros, tirei o pó, selecionei, descartei, planejei… os lerei. Separei os arquivos do computador por assunto e cada coisa está na sua pasta correta: Tem pasta para a Faculdade, para as fotos, para os que não se encaixam em nada (Diversas) e até para o passado (Lixeira). Fiz tópicos na agenda… os cumpri. Mexi na minha mesa de trabalho, joguei fora papéis velhos, resolvi pendências… ousei. Pedi desculpas… agora estou cumprindo cronogramas. Reli literatura velha e boa (Mentiras ao Vento, De Pano). Comecei a comer diferente… é até gostoso o arroz branco, a carne grelhada, as frutas e as saladas, TUDO JUNTO, tem sabor de saudável. Mas também tenho tomado cocas-colas ‘toda’… Cocas zero ;). Mudei o layout do blog. Tudo isso na tentativa de organizar as coisas aqui dentro. Os pensamentos, sentimentos e expectativass, que andam um pouco desorganizados. De vez em quando me vem uma saudade de comprar frango e sabão em pó, sabe?.. Daí vem você e sonha comigo. Você que abre a porta do carro e me chama de linda. Daí vem você e consegue enxergar o que está por trás das formas. Que formas? Vem você que pega na minha mão, abraça, beija e mostra que vale à pena e eu costumo apostar em coisas que valem à pena. Vem você que aposta mais alto, sem medo de perder. Vem você com mais manias de organização do que eu, de sonhos mais altos, de comida mais saudável… Vem você que também toma cocas-colas ‘toda’ e sem ser zero. Vem você que também gosta de literatura velha e boa (Estica e Puxa, Nem ‘PIF. Nem ‘POF’. ‘PIF POF’, 17 de Dezembro de 2009).Vem você que também é bom em informática e me mostra que o melhor mesmo é usar Shift DEL, que não tem como restaurar depois.

Daí vem você.

Vem você.

Você.

Que me faz sorrir um sorriso mais feliz, mais bonito e mais sincero.

Imagem tirada daqui.


Psiu!!!!!!!!!!!!

– Muié essa semana nós compremos uns milhero de tijolo para nós alevantar a nossa casinha. Nós mora agora perto da lagoa, num vão.  Mas nós vai  fazer uma casa com dois vão e tamo é rico, vamo alevantar até banhero. Nós ganhemos cinquenta pau num bico lá, deu pra comprar arroz e mistura pra semana todinha. Lá num tem luz, nem água. Mas nós pega água na lata e a gente tem uma lamparina véia. É bom demais lá. Tem uns carro dos Omi da Política que passa e leva as criança pra estudar, vão ser tudo doutor. Lá num tem bandido, nós é tudo trabalhador, nós num fala mal de ninguém, nós  é amigo, nós sabe respeitar…

Ultimamente, tenho procurado este lugar, por que onde eu moro as pessoas têm casas bonitas, com água encanada, energia elétrica  e todo o luxo que o dinheiro pode trazer; têm carros e empregos bons; têm comida boa e saudável; as crianças vão ser realmente doutores … E falam articuladamente bem, respeitando a concordância verbal, nominal e todas as regras da gramática, mas não respeitam o vizinho, não sabem ser amigos… Falam tão bem, que falam demais…

“Falam de tudo. Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzisses, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos. Sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber. Mas não sabem, porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam.” (Nelson Rodrigues)